Fichamento “Web 2.0 e redes sociais na educação” de João Mattar

“A web 2.0 provoca uma mudança da epistemologia clássica da educação para uma nova epistemologia, baseada em pedagogias de aprendizagem ativas, construtivismo, ensino situado, co‐criação de conhecimento, revisão por pares e novas formas de avaliação. Siemens (2008), por sua vez, argumenta que o desenvolvimento tecnológico e os softwares sociais estão alterando significativamente a maneira pela qual os aprendizes acessam a informação e o conhecimento, e dialogam entre si e com o professor.” p. 2

“Neste milênio o cenário é completamente diferente, com o desenvolvimento das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação), da internet, das ferramentas da web 2.0 e das redes sociais, que passaram a ser incorporadas à educação. Hoje é possível construir redes sociais à distância em que várias pessoas interagem, síncrona e assincronamente. A nova geração de nativos digitais cresce, convive, comunica‐se, estuda e trabalha em rede. Nessas redes, o conhecimento é aberto e colaborativo, e os usuários não são mais concebidos apenas como recipientes passivos, mas simultaneamente como produtores e desenvolvedores de conteúdo.” p.3

“Na verdade, até mesmo a diferença entre professores e alunos pode ser colocada em questão neste novo cenário. Da mesma maneira que o usuário está acostumado a personalizar seu espaço nas redes sociais, nos PLEs (Personal Learning Environments) o aluno organiza seu espaço de aprendizagem, que não é mais ditado e determinado pelo professor. Ou seja, o aluno assume muitas das funções que, no CDWT, eram desempenhadas pela instituição de ensino, pelo designer instrucional, pelo webdesigner e pelo tutor.” p. 4

“Os educadores devem buscar compreender os reais interesses dos seus alunos reais e, com base nessas informações, integrar atividades de aprendizagem que tenham relevância real para cada aluno. O instrucionismo nos afasta do pensamento crítico, com sua proposta engessada de seguir modelos de sistemas de ensino, protegendo‐nos de enfrentar a complexidade do mundo em que temos de agir, que é problemático, ambíguo e em constante mutação. Os autores reveem também as teorias construtivistas que mais influenciaram a aprendizagem mediada pela tecnologia, procurando organizá‐las em duas dimensões: a compreensão da realidade como objetiva/subjetiva e o design do conhecimento como social/individual. A combinação destes dois eixos gera um continuum que inclui: (1) construtivismo cognitivo, (2) construtivismo radical, (3) construtivismo situado e (4) co‐construtivismo. Apesar das diferenças, esses pontos de vista compartilham crenças como: (a) a aprendizagem é ativa e não passiva, (b) a língua é um elemento importante no processo de aprendizagem, e (c) ambientes de aprendizagem devem ser centrados no aluno. O foco da educação, segundo o construtivismo, não seria o conteúdo, mas o processo, por isso os educadores precisam conhecer seus alunos a fim de organizar esse processo.” p. 7

“O pensamento está situado em contextos físicos e sociais, de modo que a cognição (incluindo o pensamento, o conhecimento e a aprendizagem) deve ser considerada uma relação em uma situação, e não uma atividade na mente de um indivíduo. Pensar envolve interações construtivas e cognitivas com objetos e situações, e não apenas processos e manipulações de símbolos na mente de indivíduos, como muitos modelos de processamento de informação propõem. O conhecimento é um produto da atividade intelectual individual e social dos alunos, portanto os professores devem criar contextos sociais para sustentar essa produção.” p. 8

“O conhecimento, a aprendizagem e a cognição são fundamentalmente situados em atividades, contextos, culturas e situações. O conhecimento indexa a situação em que surge e na qual é utilizado, sendo a aprendizagem um processo de aculturação, apoiado na interação social. Representações decorrentes de atividades não podem ser facilmente substituídas por descrições: problemas não surgem apenas nos livros, portanto métodos de aprendizagem devem ser incorporados a situações autênticas. Como alternativa às práticas convencionais de ensino, os autores propõem a ‘aprendizagem cognitiva’ (cognitive apprenticeship), que procura aculturar os alunos nas práticas autênticas pela atividade e interação social, como na aprendizagem de um ofício.” p. 8

“O conectivismo ou aprendizado distribuído é proposto como uma teoria mais adequada para a era digital, quando a ação é necessária sem aprendizado pessoal, utilizando informações fora do nosso conhecimento primário. As teorias da aprendizagem devem ser ajustadas em um momento em que o conhecimento não é mais adquirido de maneira linear, a tecnologia realiza muitas das operações cognitivas anteriormente desempenhadas pelos aprendizes (armazenamento e recuperação da informação) e em muitos momentos o desempenho é necessário na ausência de uma compreensão completa . Aprender não é mais um processo que está inteiramente sob controle do indivíduo, uma atividade interna, individualista: está também fora de nós, dentro de outras pessoas, em uma organização ou em um banco de dados, e essas conexões externas, que potencializam o que podemos aprender, são mais importantes que nosso estado atual de conhecimento.” p. 11 – 12

 

Livro: http://www.educoas.org/portal/La_Educacion_Digital/laeducacion_145/studies/EyEP_mattar_ES.pdf

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