Distância entre nós

Ontem umas amigas do trabalho me levaram pra conhecer um novo bar.

Eu nunca saio. Gosto de ficar em casa, assistir, jogar vídeo game, navegar. Mas, fui. O lugar era bacana. Muita gente. A comida era boa. Bebi um pouco. Com ajuda do álcool comecei a me soltar mais. Conversei muito. Sobre tudo.

Não é que as meninas do trabalho são ainda mais legais que imaginei. Pode ter sido o álcool, talvez. Na sexta vamos sair de novo. Liv, Renatinha e Suelen são solteiras, sempre saem juntas. São amigas, além do trabalho.

Estou feliz por terem me convidado. Parece brincadeira, mas desde que me mudei, há dois anos, fora do trabalho só conversava com minha irmã e minha mãe por telefone e nas festas de fim de ano, quando viajo para vê-las. 

Estudei publicidade e trabalho em agência. Todo mundo é bem legal, mas ainda não tinha surgido a oportunidade (eu querer) de ir também aos happy hours. E agora eu lembro o quanto é bom sair e ver novas pessoas. Não perco mais nenhum. 

Passo a semana sonhando com a sexta-feira. Um dia pra descontrair, beber, conversar, rir e dançar. Toda semana conhecemos um lugar novo. A não ser que seja aniversário de uma de nós, aí a aniversariante escolhe um lugar para voltarmos. 

Acordei feliz hoje. É sexta-feira, na terça foi aniversário da Renatinha. Comprei até vestido novo. Vamos voltar ao bar que sai com as meninas a primeira vez. Vai ser nostálgico. Estou animada. 

Já estou pronta. Mas, Suelen não vai poder vir aqui em casa pra me levar. Marquei com a Renatinha de irmos juntas de táxi, mas nunca cheguei a casa dela. 

Um motorista bêbado bateu no táxi que eu estava. Não doeu, acho que desmaiei. Quando acordei já estava em outro lugar. Fiquei preocupada com minhas amigas, será que elas ainda estão me esperando?! E minha mãe, minha irmã, alguém já as avisou, elas sabem que estou bem?! 

Estou num quarto, parece um dormitório, um hospital, algo assim. Não sei onde estou. Tento me levantar mas não consigo. Será que estou bem mesmo?! 

Sinto uma dor enorme do peito. Grito de dor. Uma senhora de olhos meigos entra no meu quarto, passa a mão em minha cabeça e eu durmo. Acordo sem sentir dores. Não sei quanto tempo se passou. Não tem tv ou relógio no meu quarto. 

Chamo por alguém. Ninguém responde. Tento me levantar. Dessa vez eu consigo. Abro a porta devagarinho. Ninguém no corredor. Vou até o balcão​ de atendimento. Vazio. Sento no sofá da sala de espera. Acredito que seja uma sala de espera. E espero.

Acabei adormecendo. A mesma senhora dos olhos meigos está acariciando meus cabelos. Sinto uma paz enorme em meu peito. Pergunto onde estou e o que aconteceu. Ela me pede paciência e me encaminha para o jardim do lado de fora.

Me sinto melhor. Respiro o ar puro que vem das árvores. Me sinto muito bem. E ela me explica que eu estou no plano espiritual, que infelizmente, não sobrevivi ao acidente. Estou confusa. 

Ela me explicou que dormi por três meses. E que todos com quem eu estava preocupada, estão bem. Então perguntei por que eu passei tanto tempo dormindo e por que da primeira vez que acordei senti uma dor enorme no peito. Mesmo no plano espiritual nós sentimos dor?!

Ela me explicou que quando as pessoas encarnadas sentem a nossa falta e choram pensando na gente, nós sentimos toda a dor que a nossa saudade causa nelas. E que, as minhas amigas rezaram para que eu permanece dormindo. Dormindo até que minha alma se recurerasse do acidente. Dormindo até que a minha falta não doesse tanto nas pessoas que eu amo. Até que a falta da minha presença fosse apenas saudades. 

Não tenho raiva por ter morrido ainda nova. Não tenho ódio do motorista que bateu no táxi onde eu estava. Claro que sinto saudades das minhas amigas, do meu trabalho e principalmente da minha família. Mas, estou feliz em saber que eles estão bem. Que a minha morte não mais os fazem sofrer. 

Tenho certeza que vivi uma boa vida, nem sempre foi fácil, mas disse tudo que queria. Fiz tudo que me fazia feliz. Valorizei meus amigos e família. E nunca economizei no “eu te amo”, sorrisos e abraços.

Queria dizer a todos que amo que estou bem. Quero que sinta meu abraço. Um abraço bem apertado, talvez pra compensar eu ter partido sem conseguir me despedir. Não se preocupe, as lágrimas que rolam pelo meu rosto são de saudades. Mas saiba que não estou triste. Estou feliz. Desejo de coração que você seja feliz. Viva. Sorria. Abrace a vida e não deixe de dizer “eu te amo”. 

Nos veremos novamente. Tenho certeza. Um grande até logo. 

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Vivendo o cinza da vida

Quais são seus sonhos? Ser feliz? Ser rico? Ser amado? Se sentir bem consigo mesmo? Tudo isso junto e muito mais? Ótimo, você está no caminho certo. Você já sabe o que quer e tomará as melhores decisões para que suas escolhas te levem ao destino desejado. Na verdade, se você sabe o que quer não precisa continuar lendo esse post. Pode ir fazer mais do que te faz feliz e tudo aquilo que te faz sentir realizado. Mas, se você é como eu, que não tem noção do seu propósito, esse post é pra você. Quer dizer, pra mim.

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Sem saída

“Passei muito tempo defendendo ideias erradas. Hoje tenho minhas próprias conclusões. A pergunta era simples, mas a resposta ainda sem definições.” pensou Camila.

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A vida como ela é

Valéria nasceu numa família bem simples. Seu pai e mãe priorizavam o onde morar e o que comer. Não ganhou brinquedos quando era criança.  Não tinha televisão. Não tinha amigos. Não era bonita. Usava óculos, tinha o rosto fino, cabelos grandes e volumosos, quase sempre despenteados. Era bem magra e muito desajeitada. Não tinha roupas da moda e quase sempre eram bem velhas.

Quando ia a escola, se trancava em seu mundo. Todos a achavam estranha, mas ela não se importava. Nunca teve o que os outros alunos tinham: dinheiro. Sua única diversão era ler. A bibliotecária da escola, nesse tempo, era sua única amiga. Aos 11 anos, Valéria leu todos os livros de histórias que tinha na escola. Samara, a bibliotecária, começou a lhe indicar os clássicos da literatura. Valéria leu todos eles. No ensino médio, já tinha lido mais livros que a Jandira em toda sua vida.

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As aventuras de Sophia

– Princesa Sophia, cuidado!

Sophia se abaixou antes que a bruxa má conseguisse lançar o feitiço para congelá-la para sempre. Mas, não ter sucesso a deixou com raiva. A bruxa se transformou em dragão e soprou fogo na princesa que correu para trás da torre.

– Felipe, atrás de você!

Alertou Sophia quando a bruxa tentou queimá-lo também. Ele estava tentando vencer o ogro, que assim que percebeu a intenção da bruxa, correu. Felipe virou a tempo de se proteger contra o fogo com o escudo. Com dificuldade conseguiu ir até a princesa e levá-la para seu cavalo, que o esperava ali perto.

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